HISTÓRIA DA ABIAF
No dia 13 de março de 1979, 07 (sete) empresários do setor: Fábio Figueiredo (CEFRI), Eduardo Vasone (ARFRIO), Fábio Starace Fonseca (FRIOZEM), Jorge Carlos Nahas (REFRIO), J. Pazini (CEAGESP), Luiz Paulino de Carvalho Moreira Leite (CAP) e Aziz Mahfuz (LOCALFRIO), fundam a ABIAF – Associação Brasileira da Indústria de Armazenagem Frigorificada.
Não foi sem um grande esforço e obstinação que esses empresários, construíram a maior e mais moderna indústria do gênero na América Latina.
A partir da década de 1970 novos grupos de empresários começaram a investir no setor, ampliando a então incipiente rede nacional com apenas 100.000 m³ de câmaras frigoríficas para as atuais 4.554.308,3 m³.
O mais interessante nessa história é que ela prova a eficiência das leis de mercado. Partindo de uma participação de 30% do setor, a iniciativa privada ampliou-se criando uma indústria pujante formada por pequenas e médias empresas.
Não houve um macro-planejamento para essa indústria, e nem mesmo as episódicas interferências governamentais atrapalharam o seu desenvolvimento.
BREVE HISTÓRIA DA INDÚSTRIA DE ARMAZENAGEM FRIGORÍFICADA NO BRASIL
- 1910 a 1940 - Nessa época o Brasil era importador de alimentos como: carnes, manteiga e alguns peixes e frutas.
Existiam apenas algumas pequenas câmaras frigoríficas em mercados de alimentos, de propriedade da municipalidade, importadores e distribuidores de alimentos.
Na década de 1910 foram construídos no Brasil 02 (dois) armazéns frigoríficos de uso público:
- 1913 – Porto do Rio de Janeiro
Av. Rodrigues Alves
Capacidade: 34.000 m³
Cia. Docas de Santos
Capacidade: 24.700 m³
- 1950 - O governo brasileiro começou a construção de centros de distribuição de alimentos frescos os então chamados CEASAS, nos quais foram instaladas pequenas câmaras para alimentos resfriados e congelados.
Nesse estágio, carne congelada de péssima qualidade era vendida e rejeitada pela maioria dos consumidores; Comida congelada passou a transmitir a imagem de comida de baixa qualidade.
Novas indústrias de pescado foram instaladas nos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Grandes indústrias de carne foram fundadas pelas companhias estrangeiras Swift e Armour, Anglo, bem como, pelo Grupo Brasileiro Mouran.
Em 1953 a família Vasone construiu no bairro da Mooca em São Paulo, seu primeiro armazém frigorífico a ARFRIO, uma moderna instalação com 27.000 m³ de capacidade, projetada pela SAMIFI.
- 1960 - Foram nos anos 60 que as indústrias de alimentos congelados e resfriados realmente começaram. Equipamentos para congelamento industrial foram importados pelas indústrias de pescados e carne.
Em 1967 foi fundada, por Fábio Figueiredo, a primeira empresa de distribuição de comidas congeladas, Freezer Alimentos Congelados S.A., em São Paulo, envolvendo a comercialização de peixe congelado, lagostas, camarões, peixes, camarões empanados e pratos prontos, com uma cadeia de 400 (quatrocentos) pontos de vendas em supermercados e empresas de catering.
A primeira indústria brasileira de pratos prontos de alimentos congelados foi a Supergel em 1968, com o Know How do Grupo Alemão Apetito.
A Supergel reuniu em seu controle acionário dois pesos pesados da economia brasileira: Sebastião Camargo, controlador da Construtora Camargo Corrêa e Pery Igel principal acionista do Grupo Ultra (Ultragaz/Ultracargo).
Esse empreendimento foi organizado e presidido pelo Comte. Luis Fernando Carneiro, um dos principais articuladores e incentivadores do setor no Brasil.
Em 1968 surge ainda, a segunda empresa do setor – A Coimpal.Também em 1968, surge a FINDUS, da Nestlé, no Rio Grande do Sul. Começa a industrialização e a comercialização de peixes congelados.
Novos congeladores domésticos para supermercados, de boa qualidade, começaram a ser produzidos no Brasil; Esta década assistiu ao início de 03 (três) importantes produções, onde o Brasil tornou-se um dos maiores exportadores mundiais: a de suco concentrado de laranja (Eduardo Rinzler – Avante), frango e carne bovina.
- 1970 - Em 1970 o país dispunha de uma rede de armazéns frigoríficos de uso público com capacidade de 100.000 m³, aproximadamente 70% das instalações pertenciam ao Estado, que cobrando tarifas abaixo dos níveis ideais, o que inibiu o crescimento do setor e a ampliação da participação da iniciativa privada.
Uma grande crise de falta de espaço para a armazenagem de produtos para consumo, ocorrida entre 1970 e 1973, deflagrou um processo em que o Estado ampliou a sua rede e financiou a iniciativa privada que se dispôs a investir na área.
Em 1972 a CEFRI instalou em Mairinque (SP) sua primeira câmara frigorífica com 40.000 m³, licenciada pela empresa Sueca Frigoscandia Contracting. Era o início da modernização e desenvolvimento dos armazéns frigoríficos de uso público.
A Frigoscandia, associada ao Grupo Mineiro BMG, construiu 02 (dois) outros armazéns em Uberlândia-MG, com 40.000 m³ e Itajaí (SC) com 70.000m³.
Outras empresas foram instaladas nessa época, tais como: Friozem (Fábio Fonseca), Refrio (Jorge Nahas), Localfrio (Família Vasone) e Ceagesp; A Arfrio da família Vasone inicia a construção da segunda unidade em Barueri/SP.
As novas instalações construídas nesse período aportaram uma tecnologia igual à dos países mais adiantados, capacitando-se a operação com produtos destinados aos mercados mais exigentes e sofisticados.
A indústria forneceu o apoio indispensável ao crescimento das exportações de pescado, suco de laranja, frangos, carne bovina, e mais recentemente, sucos de frutas tropicais, frutas “in natura”, polpas de frutas, extrato de café solúvel, chocolates, derivados lácteos, dentre outros.
No mercado interno a indústria estabeleceu uma rede que tornou possível a disseminação do consumo do alimento congelado e a ampliação das vendas de alimentos resfriados no país.
A Ameise instala sua fábrica de empilhadeiras elétricas. O Grupo Saturnia produz as baterias, fornos microondas começam a ser fabricados no Brasil.
Grandes estoques reguladores de carne congelada começaram a ser formados pela Cia. Estatal Cobal.
Em 1978 foi fundado o IBRAGEL – Instituto Brasileiro de Alimentos Supergelados contando com os inestimáveis apoios do seu presidente Comte. Luis Fernando Nóbrega Carneiro e Fábio Figueiredo, Alan Lioret e Oswaldo Kiescwester como vice-presidentes.
- 1980 - Esta década assistiu a um grande aumento de consumo e venda de alimentos congelados e resfriados.
Restaurantes do tipo: “fast food”, como Mc Donald´s, Bob´s, Kentucky Chickens, Arby´s, Jack in the Box, Pizza Hut, e outros começaram vastas operações. Catering tornou-se uma grande indústria com 03 milhões de refeições fornecidas, todos os dias, na cidade de São Paulo.
Em 1981, o IBRAGEL deu início aos ”cursos de congelados domésticos” para donas-de-casa. Esses cursos multiplicaram-se na época, atingindo uma média de 20.000 pessoas por mês.
Os consumidores foram preparados para comprar alimento congelado em supermercados.
Inestimável a contribuição do casal Edmundo e Cecília Pastorello, que difundiram as técnicas e vantagens da utilização de alimentos congelados/resfriados.
Em 1988 é fundado o IBF – Instituto Brasileiro do Frio e em 1989 o IBRAF – Instituto Brasileiro de Frutas, nossos inestimáveis parceiros até hoje.
Em 1989 a Indústria de Armazenagem Frigorificada de uso Público, alcançou 1,8 milhões de m³, sendo 71% de empresas privadas e 29% de empresas governamentais, invertendo-se assim, os índices iniciais.
- 1990 - A década de 90 começou com novos projetos criando crescente expansão da rede e ajustando-se às demandas de mercado.
A indústria prosseguiu seu esforço na área de melhorias tecnológicas das instalações, incorporando inovações com o objetivo de torná-las mais eficientes e reduzir o custo operacional, notadamente nas áreas de utilização de energia, automação e desenvolvimento de softwares de gerenciamento de estoques e de frotas.
Através da participação de outras atividades de pesquisa, a indústria buscou maior eficiência dos equipamentos e reduções de custos dos investimentos nas instalações que, ainda hoje, corresponde ao dobro do custo em países mais desenvolvidos;
Tem sido também elevada a preocupação com a melhoria da mão-de-obra especializada, para a manutenção e a operação das instalações.
Em 1990 a Indústria operou com uma utilização muito variável, desde 20% a 30% em algumas áreas e até 50% a 70% em outras; Algumas instalações operavam durante vários meses com ocupação inferior a 5%.
- 2008 - Chegamos em 2008, com mais de 4.500.000 de metros cúbicos, representando ainda, a ponta de um imenso “iceberg”, tendo em vista, o enorme potencial oferecido pela economia brasileira.